Salmos 1
Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!
O Salmo 1 abre o Saltério e é classificado, na crítica das formas de Hermann Gunkel, como salmo sapiencial (não um hino nem um lamento de culto). Em vez de se dirigir a Deus, ele instrui o leitor, no estilo da literatura de sabedoria (Provérbios, Jó). Muitos estudiosos sustentam que os editores finais do livro o colocaram de propósito como pórtico: junto com o Salmo 2 (salmo real), forma a entrada da coleção e convida a ler os 150 salmos sob a chave da 'piedade da Torá'. A palavra hebraica 'ashrê' (traduzida 'bem-aventurado', 'feliz') é marca típica desse gênero.O verso desenha o esquema dos 'dois caminhos' (o do justo e o do ímpio), motivo recorrente na sabedoria do Antigo Oriente Próximo e em Provérbios. Note a gradação tripla 'anda... se detém... se assenta' e o paralelismo 'ímpios / pecadores / escarnecedores': a repetição em três tempos é recurso central da poesia hebraica, em que cada linha intensifica a anterior.