Romanos 12
Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês.
Aqui começa a seção ética (parênese) de Romanos: depois de 11 capítulos de argumento doutrinário, Paulo passa às consequências práticas, marcadas pelo 'pois' que liga ética e teologia. A imagem do 'sacrifício vivo' inverte a lógica do culto sacrificial antigo (no qual a vítima morre): o corpo do crente, em vez de animais no templo, torna-se a oferta. É linguagem que reinterpreta o sacrifício em chave moral, tendência já presente em parte do judaísmo do período e nos profetas, que criticavam o sacrifício formal em favor da obediência.A expressão traduzida por 'culto racional' verte o grego 'logikē latreia'. O adjetivo 'logikos' pode significar 'racional/lógico' ou 'espiritual', e as traduções divergem: a King James e versões mais antigas trazem 'serviço racional', enquanto várias modernas preferem 'culto espiritual' ou 'adoração espiritual'. A ambiguidade é real e antiga; o termo evoca um culto não material, próprio do entendimento, em contraste com o ritual exterior.