Juízes 5
LORD
Os versos 4-5 descrevem o Senhor marchando desde Seir e Edom, ao sul, com a terra tremendo e os céus gotejando água: uma teofania de deus da tempestade. Diversos estudiosos veem aqui um vestígio das 'origens sulistas' de Iahweh. Textos arcaicos (também Dt 33:2 e Hc 3:3, que o ligam a Temã e Parã) o associam ao deserto meridional (Edom, Seir, Sinai, Midiã). A chamada hipótese queneia/midianita propõe que o culto a Iahweh teria chegado a Israel por meio de tribos do sul. É uma reconstrução acadêmica, debatida e não unânime.A imagem do Senhor como guerreiro que vem na tempestade, fazendo a terra estremecer e os céus despejarem chuva, tem paralelo direto no perfil de Baal no panteão cananeu. No Ciclo de Baal, este é o 'Cavaleiro das Nuvens', senhor do raio e da chuva fertilizadora. O Cântico de Débora aplica ao Deus de Israel atributos do mesmo tipo de divindade atmosférica: na prática, reivindica para Iahweh o domínio sobre tempestade e fertilidade que os cananeus atribuíam a Baal.