Jó 42
And the LORD turned the captivity of Job, when he prayed for his friends: also the LORD gave Job twice as much as he had before.
A expressão hebraica traduzida por 'virou o cativeiro' (shuv shevut) é idiomática e significa 'reverter a sorte', 'restaurar a fortuna'; não implica que Jó tenha estado literalmente cativo. O detalhe de a restauração começar 'quando orava pelos seus amigos' é lido por muitos como o coração ético do epílogo. Já a duplicação dos bens (o 'dobro') gera debate: para uns confirma a recompensa do justo; para outros há ironia ou tensão, pois reintroduz, no final em prosa, a lógica de retribuição que o corpo poético do livro havia desmontado. A própria existência de um epílogo em prosa com final feliz, encaixado num poema que recusa respostas fáceis, alimenta a hipótese de que o livro combina uma antiga narrativa popular (o 'Jó paciente' da moldura em prosa) com um debate poético posterior e mais radical.