Isaías 51
Awake, awake, put on strength, O arm of the LORD ; awake, as in the ancient days, in the generations of old. Art thou not it that hath cut Rahab, and wounded the dragon?
Este verso evoca o motivo do combate ao caos (Chaoskampf, na terminologia acadêmica): a vitória da divindade sobre o monstro marinho. "Raabe" e o "dragão" (o hebraico tem tannin, traduzido aqui por "chacal") são nomes de um ser caótico do mar, paralelo ao Leviatã de outros textos (Sl 89:10; Jó 26:12). O paralelo mais próximo está no Ciclo de Baal de Ugarit (séc. XIV-XII a.C.), onde a deusa Anat se gaba de ter esmagado "o Dragão", "a serpente tortuosa, Shalyat, a de sete cabeças" (Lotan), e de ter derrotado Yamm, o Mar. O hebraico tannin e o nome da serpente correspondem, termo a termo, às palavras ugaríticas tnn e ltn.O ponto característico de Isaías é a reaplicação desse antigo motivo mítico a eventos históricos: "cortar em pedaços a Raabe" e "ferir o dragão" fundem-se, no verso seguinte, com o secar do mar no Êxodo. Onde o mito cananeu narra um combate cosmogônico entre deuses, Isaías transforma a vitória sobre o caos em metáfora da libertação histórica de Israel e prenúncio do novo êxodo da Babilônia. "Raabe" também era epíteto poético do Egito (Is 30:7; Sl 87:4), o que reforça a leitura histórica.