O Grande Inquisidor 6
O poema de Ivan Karamázov (1880): Cristo retorna no auge da Inquisição em Sevilha e é preso pelo Inquisidor, que o acusa de ter dado liberdade demais aos homens e defende uma Igreja fundada em milagre, mistério e autoridade
"Eu pretendia terminá-lo assim. Quando o Inquisidor parou de falar, esperou algum tempo que o seu Prisioneiro lhe respondesse. O silêncio dEle pesava sobre ele. Ele viu que o Prisioneiro tinha escutado tudo atentamente, olhando-o com brandura no rosto e evidentemente não querendo responder. O velho ansiava que Ele dissesse algo, por mais amargo e terrível que fosse. Mas Ele de repente se aproximou do velho em silêncio e suavemente o beijou nos lábios envelhecidos e sem sangue. Foi essa toda a Sua resposta. O velho estremeceu. Seus lábios se moveram. Ele foi até a porta, abriu-a e disse a Ele: 'Vai, e não venhas mais... não venhas nunca, nunca, jamais!'. E o deixou sair para os becos escuros da cidade. O Prisioneiro foi embora."