Oseas 3
Y DÍJOME otra vez Jehová: Ve, ama una mujer amada de su compañero, aunque adúltera, como el amor de Jehová para con los hijos de Israel; los cuales miran á dioses ajenos, y aman frascos de vino.
Há um debate antigo sobre quem é a 'mulher' deste capítulo. A maioria dos comentadores entende que se trata de Gômer (a esposa de Oséias 1), agora afastada e readmitida, lendo o capítulo como remarriação ou resgate dela. Outros sustentam que é uma segunda mulher distinta, ou que o relato nunca foi biográfico, mas parábola ou visão construída para ilustrar a relação entre YHWH e Israel. O texto hebraico não diz o nome, o que mantém a questão em aberto.A frase 'amada de seu amigo, contudo adúltera' é de tradução difícil. O termo traduzido por 'amigo' (re'a) pode significar 'companheiro', 'marido' ou 'amante', e os tradutores divergem: algumas versões leem 'amada por outro homem' (um amante), outras 'amada por seu marido' (o próprio Oséias). A ambiguidade afeta diretamente como se entende a situação da mulher.Os 'bolos de uvas' (hebraico 'ashishei anavim') não são doces comuns, mas provavelmente bolos rituais ligados ao culto de fertilidade cananeu. Vários estudiosos os associam a oferendas em festas sacrificiais a Baal ou à deusa Aserá. O verso usa esse detalhe concreto para retratar a 'prostituição' de Israel como apostasia cultual: voltar-se a outros deuses é descrito com a linguagem do adultério.
Compréla entonces para mí por quince dineros de plata, y un homer y medio de cebada;
O preço pago é objeto de cálculo nos comentários. Quinze siclos (peças) de prata equivalem à metade do preço padrão de um escravo, que era trinta siclos (Êx 21:32). Estima-se que o homer e meio de cevada valesse cerca de quinze siclos adicionais, de modo que o total se aproximaria dos trinta siclos: alguns leem isso como Oséias readquirindo a mulher pelo preço cheio de um escravo, pago metade em prata e metade em grão.Há quem note que a cevada era também a oferenda prescrita no rito da mulher suspeita de adultério (Nm 5:15), o que adicionaria carga simbólica à escolha do pagamento. Esse paralelo é sugestivo mas não é certo: o texto não explicita o motivo, e parte dos comentadores vê apenas o registro de uma transação pobre e humilhante.
Y díjele: Tú estarás por mía muchos días: no fornicarás, ni tomarás otro varón; ni tampoco yo vendré á ti.
O período de reclusão e abstinência imposto à mulher ('muitos dias... não te prostituirás') funciona como ação simbólica: o gesto do profeta encena a mensagem. O paralelo é explicitado no verso seguinte, em que 'muitos dias' sem relação correspondem aos 'muitos dias' de Israel sem instituições. A frase final, 'assim também eu esperarei por ti', é de leitura incerta no hebraico e às vezes traduzida como 'assim também eu serei para ti' ou 'não me darei a outra'.
Porque muchos días estarán los hijos de Israel sin rey, y sin príncipe, y sin sacrificio, y sin estatua, y sin ephod, y sin teraphim.
Os itens listados misturam instituições políticas e cultuais. 'Estátua' traduz 'matsevá', a coluna ou estela de pedra usada no culto (associada por alguns à fertilidade e a Baal). 'Éfode' era a veste ou objeto sacerdotal empregado em consultas oraculares, e 'terafim' eram imagens ou ídolos domésticos também usados em adivinhação. A lista junta culto legítimo (rei, sacrifício, éfode) e ilegítimo (matsevá, terafim) num só golpe: Israel ficaria privado de toda forma de mediação, verdadeira ou falsa.Há divergência sobre o evento histórico em vista. Muitos leem o verso como descrição do exílio e da perda da monarquia do reino do Norte (722 a.C.); outros o tomam de modo mais amplo, como um intervalo prolongado sem instituições. O texto não data o cumprimento, o que abre espaço para interpretações exílicas e pós-exílicas.
Después volverán los hijos de Israel, y buscarán á Jehová su Dios, y á David su rey; y temerán á Jehová y á su bondad en el fin de los días.
A menção a 'Davi, seu rei' é debatida em termos de camada redacional. Oséias profetizou ao reino do Norte, que havia se separado da dinastia davídica; a expectativa de retorno ao 'Davi' (a dinastia de Judá) soa, para parte da crítica, como acréscimo de um redator judaíta posterior, que reorientou o oráculo do Norte rumo a Judá e à casa de Davi. Outros defendem a autenticidade, vendo aí uma esperança de reunificação já presente no profeta.A expressão 'no fim dos dias' (be'aharit hayyamim) indica um futuro indeterminado, não necessariamente escatológico no sentido posterior do termo. A tradição rabínica (nos dois Talmudes) e a leitura cristã aplicaram o 'Davi' deste verso ao Messias; a crítica histórica tende a entendê-lo, no nível original, como referência à dinastia davídica de Judá.