Mosias 25

O discurso do rei Benjamim sobre o homem natural, o julgamento do profeta Abinadi diante do rei Noé, onde se cita Isaías 53 por inteiro, a conversão de Alma e a substituição da monarquia por um sistema de juízes

Os do povo de Zaraenla (os mulequitas) tornam-se nefitas — Eles tomam conhecimento do povo de Alma e de Zênife — Alma batiza Lími e todo o seu povo — Mosias autoriza Alma a organizar a Igreja de Deus. Aproximadamente 120 a.C.

E então o rei Mosias fez com que todo o povo se reunisse.
Ora, não havia tantos dos filhos de Néfi, ou seja, tantos dos descendentes de Néfi quantos havia do povo de Zaraenla, que era descendente de Muleque, e dos que com ele haviam ido para o deserto.
E não havia tantos do povo de Néfi nem do povo de Zaraenla como havia dos lamanitas; sim, não eram nem a metade em número.
E todo o povo de Néfi estava reunido, assim como todo o povo de Zaraenla; e achavam-se congregados em dois grupos.
E aconteceu que Mosias leu e fez com que fossem lidos os registros de Zênife a seu povo; sim, ele leu os registros do povo de Zênife, desde o tempo em que haviam deixado a terra de Zaraenla até quando retornaram.
E também leu o relato de Alma e seus irmãos e de todas as suas aflições, desde o tempo em que haviam deixado a terra de Zaraenla até quando retornaram.
E quando Mosias terminou a leitura dos registros, os de seu povo, que haviam permanecido na terra, ficaram assombrados e atônitos.
Pois não sabiam o que pensar, porque, quando viram os que haviam sido libertados do cativeiro, encheram-se de grande alegria.
E também, quando pensaram em seus irmãos que haviam sido mortos pelos lamanitas, encheram-se de tristeza e até mesmo derramaram lágrimas de dor.
E também, quando pensaram na solícita bondade de Deus e no seu poder para libertar Alma e seus irmãos das mãos dos lamanitas e do cativeiro, elevaram as vozes e renderam graças a Deus.
E novamente, quando pensaram nos lamanitas, que eram seus irmãos, e no estado de corrupção e pecado em que viviam, encheram-se de dor e angústia em relação ao bem-estar de suas almas.
E aconteceu que aqueles que eram filhos de Amulon e seus irmãos, que haviam tomado as filhas dos lamanitas para esposas, ficaram desgostosos com o procedimento de seus pais e não quiseram mais levar o nome deles; consequentemente, adotaram o nome de Néfi, para que pudessem ser chamados filhos de Néfi e contados com os que eram chamados nefitas.
E assim, todo o povo de Zaraenla foi contado com os nefitas; e isto porque o reino havia sido conferido somente aos descendentes de Néfi.
E aconteceu que quando acabou de falar e ler para o povo, Mosias pediu a Alma que também falasse.
E Alma falou, estando o povo reunido em grandes grupos; e ele foi de grupo em grupo, pregando ao povo arrependimento e no Senhor.
E exortou o povo de Lími e seus irmãos, todos os que haviam sido libertados do cativeiro, a lembrarem-se de que havia sido o Senhor quem os libertara.
E aconteceu que depois de Alma haver ensinado muitas coisas ao povo e acabado de falar-lhes, o rei Lími desejou ser batizado; e também todo o seu povo desejou ser batizado.
Portanto, Alma entrou na água e batizou-os; sim, batizou-os da mesma forma que batizara seus irmãos nas águas de Mórmon; sim, e todos os que batizou passaram a pertencer à igreja de Deus; e isso por causa de sua crença nas palavras de Alma.
E aconteceu que o rei Mosias permitiu que Alma organizasse igrejas por toda a terra de Zaraenla; e deu-lhe poder para ordenar sacerdotes e mestres em cada igreja.
Ora, isso foi feito porque havia tanta gente, que não podiam todos ser governados por um mestre; nem podiam todos ouvir a palavra de Deus numa assembleia.
Portanto, reuniam-se em diversos grupos, chamados igrejas, tendo cada igreja seus sacerdotes e mestres; e cada sacerdote pregando a palavra segundo lhe era comunicada pela boca de Alma.
E assim, não obstante existirem muitas igrejas, elas eram todas uma igreja, sim, a igreja de Deus; porque nada se pregava em qualquer delas além de arrependimento e em Deus.
E existiam então sete igrejas na terra de Zaraenla. E aconteceu que todos aqueles que desejavam tomar sobre si o nome de Cristo, ou seja, de Deus, uniam-se às igrejas de Deus.
E eram chamados povo de Deus. E o Senhor derramou seu Espírito sobre eles e foram abençoados e prosperaram na terra.