Helamã 11
A deterioração da sociedade nefita sob as combinações secretas de Gadiânton e a pregação de Samuel, o lamanita, que anuncia do alto de um muro os sinais que marcarão o nascimento e a morte de Cristo
Néfi persuade o Senhor a substituir a guerra pela fome — Muitos perecem — Eles arrependem-se e Néfi suplica ao Senhor que faça chover — Néfi e Leí recebem muitas revelações — Os ladrões de Gadiânton tornam-se fortes na terra. Aproximadamente 20–6 a.C.
E então aconteceu que, no septuagésimo segundo ano do governo dos juízes, as discórdias aumentaram de tal forma que houve guerras por toda a terra entre todo o povo de Néfi.
E era esse bando secreto de ladrões que realizava essa obra de destruição e iniquidade. E essa guerra prolongou-se por todo aquele ano e continuou durante o septuagésimo terceiro ano.
E aconteceu que, nesse ano, Néfi clamou ao Senhor, dizendo:
Ó Senhor, não permitas que este povo seja destruído pela espada! Antes, ó Senhor, deixa que haja fome na terra para neles despertar a lembrança do Senhor seu Deus; e talvez se arrependam e voltem-se para ti.
E assim foi feito, segundo as palavras de Néfi. E houve muita fome na terra entre todo o povo de Néfi. E assim, no septuagésimo quarto ano, continuou a haver fome e cessou a obra de destruição pela espada; agravou-se, porém, pela fome.
E essa obra de destruição prosseguiu também no septuagésimo quinto ano. Pois a terra foi ferida, de modo que secou e não produziu grãos na época de grãos; e toda a terra foi ferida, tanto entre os lamanitas quanto entre os nefitas, de modo que foram atingidos de tal forma que pereceram aos milhares nas partes mais iníquas da terra.
E aconteceu que o povo viu que estava prestes a perecer de fome e começou a lembrar-se do Senhor seu Deus; e começou a lembrar-se das palavras de Néfi.
E o povo começou a suplicar aos juízes supremos e aos chefes que dissessem a Néfi: Eis que sabemos que és um homem de Deus; implora, pois, ao Senhor nosso Deus que afaste de nós esta fome, a fim de que não se cumpram todas as palavras que disseste a respeito de nossa destruição.
E aconteceu que os juízes falaram com Néfi, transmitindo-lhe o desejo do povo. E aconteceu que quando Néfi viu que o povo se havia arrependido e humilhado, cobrindo-se de saco, clamou novamente ao Senhor, dizendo:
Ó Senhor, eis que este povo se arrepende; e eles baniram o bando de Gadiânton do meio deles, de modo que foram extintos; e esconderam seus planos secretos na terra.
Agora, ó Senhor, aparta deles tua ira por causa de sua humildade; e apazigua tua ira com a destruição daqueles homens iníquos que já destruíste.
Ó Senhor, desvia tua ira, sim, tua ardente ira, e faze com que cesse a fome nesta terra.
Ó Senhor, escuta-me e faze com que seja feito de acordo com minhas palavras; e faze chover sobre a face da terra, para que ela produza seus frutos e seus grãos, na época de grãos.
Ó Senhor, ouviste minhas palavras quando eu disse: Deixa que haja fome, a fim de que cesse a destruição pela espada; e eu sei que me ouvirás também agora, pois disseste: Se o povo se arrepender, poupá-lo-ei.
Sim, ó Senhor, e vês que eles se arrependeram, em virtude da fome e da pestilência e da destruição que lhes sobrevieram.
E agora, ó Senhor, não desviarás tua ira para novamente ver se eles te servirão? E se assim for, ó Senhor, poderás abençoá-los segundo as palavras que disseste.
E aconteceu que no septuagésimo sexto ano o Senhor desviou sua ira do povo e fez chover sobre a terra, de modo que a terra produziu seus frutos na época de frutos. E aconteceu que produziu grãos na época de grãos.
E eis que o povo se regozijou e glorificou a Deus e toda a face da terra encheu-se de alegria; e não mais procuraram destruir Néfi, mas consideraram-no como um grande profeta e homem de Deus, de quem havia recebido grande poder e autoridade.
E eis que Leí, seu irmão, não ficava nem um pouco atrás dele nas coisas pertinentes à retidão.
E assim aconteceu que o povo de Néfi começou novamente a prosperar na terra e começou a edificar os lugares desolados e começou a multiplicar-se e a espalhar-se, até cobrir toda a face da terra, tanto ao norte quanto ao sul, do mar do oeste até o mar do leste.
E aconteceu que o septuagésimo sexto ano terminou em paz. E o septuagésimo sétimo ano começou em paz; e a igreja espalhou-se pela face de toda a terra; e a maior parte do povo, tanto nefitas quanto lamanitas, pertencia à igreja; e houve muita paz na terra; e assim terminou o septuagésimo sétimo ano.
E também tiveram paz no septuagésimo oitavo ano, com exceção de algumas disputas relativas a pontos de doutrina que haviam sido estabelecidos pelos profetas.
E no septuagésimo nono ano começaram a surgir muitas contendas. Aconteceu, porém, que Néfi, Leí e muitos de seus irmãos que conheciam os verdadeiros pontos da doutrina, recebendo diariamente muitas revelações, pregaram ao povo, de modo que puseram fim às suas contendas nesse mesmo ano.
E aconteceu que no octogésimo ano em que os juízes governaram o povo de Néfi, um certo número de dissidentes do povo de Néfi, que alguns anos antes haviam passado para o lado dos lamanitas e tomado o nome de lamanitas, e também um certo número de legítimos descendentes de lamanitas, incitados à ira por eles, isto é, pelos dissidentes, principiaram uma guerra contra seus irmãos.
E cometiam assassinatos e pilhagens; e fugiam depois para as montanhas e para o deserto e lugares secretos, ocultando-se a fim de não serem descobertos, crescendo diariamente em número, pois havia dissidentes que a eles se uniam.
E assim, com o tempo, sim, no espaço de poucos anos, transformaram-se em um bando considerável de ladrões; e eles encontraram todos os planos secretos de Gadiânton; e assim se tornaram ladrões de Gadiânton.
Ora, eis que esses ladrões causaram grandes estragos, sim, grande destruição entre o povo de Néfi, como também entre os lamanitas.
E aconteceu que se tornou necessário pôr termo a essa obra de destruição; por conseguinte, um exército de homens fortes foi enviado ao deserto e às montanhas para procurar esse bando de ladrões e exterminá-los.
Mas eis que nesse mesmo ano foram forçados a recuar para suas próprias terras. E assim terminou o octogésimo ano em que os juízes governaram o povo de Néfi.
E aconteceu que no começo do octogésimo primeiro ano tornaram a lutar contra esse bando de ladrões e mataram muitos; e eles também sofreram pesadas perdas.
E novamente foram obrigados a voltar do deserto e das montanhas para suas próprias terras, em virtude do excessivo número de ladrões que infestavam as montanhas e o deserto.
E aconteceu que assim terminou esse ano. E os ladrões aumentavam constantemente e tornavam-se cada vez mais fortes, a ponto de desafiarem todos os exércitos dos nefitas e também dos lamanitas; e causaram grande pavor ao povo de toda a face da terra.
Sim, porque atacaram muitas partes da terra e causaram grande destruição; sim, muitos foram mortos e outros foram levados presos para o deserto, sim, e principalmente suas mulheres e filhos.
Ora, essa grande calamidade que sobreveio ao povo, por causa de sua iniquidade, fez com que se lembrassem do Senhor seu Deus.
E assim terminou o octogésimo primeiro ano do governo dos juízes.
E no octogésimo segundo ano o povo principiou novamente a se esquecer do Senhor seu Deus. E no octogésimo terceiro ano começaram a ficar extremamente iníquos. E no octogésimo quarto ano não melhoraram o seu proceder.
E aconteceu que no octogésimo quinto ano se tornaram mais e mais orgulhosos e iníquos; e assim estavam novamente amadurecendo para a destruição.
E assim terminou o octogésimo quinto ano.