Ética a Nicômaco - Livro II 6
A virtude moral como hábito e a doutrina do meio-termo, o ponto certo entre o excesso e a falta
A virtude, então, é uma disposição de caráter ligada à escolha, situada num meio-termo, ou seja, no meio-termo relativo a nós, e isso é determinado por um princípio racional, aquele princípio pelo qual o homem de sabedoria prática a determinaria. Ora, ela é um meio-termo entre dois vícios, o que depende do excesso e o que depende da falta. E é um meio-termo também porque os vícios ou ficam aquém ou ultrapassam o que é certo, tanto nas paixões quanto nas ações, enquanto a virtude encontra e escolhe aquilo que é intermediário. Por isso, quanto à sua substância e à definição que enuncia a sua essência, a virtude é um meio-termo, mas em relação ao que é melhor e certo ela é um extremo.