A Origem das Espécies - Esboço Histórico 1

Esboço Histórico

Vou apresentar aqui um breve esboço de como a opinião sobre a origem das espécies evoluiu. Até pouco tempo, a grande maioria dos naturalistas acreditava que as espécies eram produções imutáveis, criadas separadamente. Muitos autores defenderam essa ideia com competência. Por outro lado, alguns poucos naturalistas acreditaram que as espécies passam por modificação e que as formas de vida hoje existentes descendem, por geração verdadeira, de formas que existiram antes. Deixando de lado as alusões ao tema feitas pelos escritores clássicos, [1] o primeiro autor que, nos tempos modernos, tratou o assunto com espírito científico foi Buffon. Mas como suas opiniões oscilaram bastante em diferentes períodos, e como ele não examina as causas ou os meios da transformação das espécies, não preciso entrar em detalhes aqui.
[1] Aristóteles, em sua "Physicæ Auscultationes" (livro 2, cap. 8, s. 2), depois de observar que a chuva não cai com o propósito de fazer o trigo crescer, do mesmo modo que não cai para estragar o trigo do agricultor depois de debulhado ao ar livre, aplica o mesmo argumento à organização dos seres vivos. E acrescenta (na tradução do Sr. Clair Grece, que primeiro me indicou a passagem): "Então, o que impede que as diferentes partes (do corpo) tenham na natureza essa relação meramente acidental? Os dentes, por exemplo, crescem por necessidade, os da frente afiados, adaptados para cortar, e os molares chatos, úteis para mastigar o alimento. Eles não foram feitos com esse propósito, mas isso foi o resultado do acaso. E o mesmo vale para as outras partes em que parece existir uma adaptação a um fim. Portanto, sempre que todas as coisas em conjunto (isto é, todas as partes de um todo) aconteceram como se tivessem sido feitas com algum propósito, essas se preservaram, por terem sido apropriadamente constituídas por uma espontaneidade interna. E tudo o que não foi assim constituído pereceu e ainda perece." Vemos aqui esboçado o princípio da seleção natural, mas o quanto Aristóteles compreendeu pouco esse princípio fica evidente em suas observações sobre a formação dos dentes.
Lamarck foi o primeiro homem cujas conclusões sobre o tema atraíram muita atenção. Esse naturalista, com toda justiça célebre, publicou pela primeira vez suas ideias em 1801. Ele as ampliou bastante em 1809, na "Philosophie Zoologique", e depois, em 1815, na Introdução à "Hist. Nat. des Animaux sans Vertébres". Nessas obras, ele sustenta a doutrina de que todas as espécies, inclusive o homem, descendem de outras espécies. Ele prestou o eminente serviço de despertar a atenção para a probabilidade de que toda mudança, tanto no mundo orgânico quanto no inorgânico, seja resultado de leis, e não de intervenção miraculosa. Lamarck parece ter chegado a sua conclusão sobre a mudança gradual das espécies sobretudo pela dificuldade de distinguir espécies de variedades, pela gradação quase perfeita das formas em certos grupos e pela analogia com as produções domésticas. Quanto aos meios de modificação, ele atribuiu algo à ação direta das condições físicas de vida, algo ao cruzamento de formas existentes e muito ao uso e desuso, isto é, aos efeitos do hábito. A esse último fator ele parece atribuir todas as belas adaptações da natureza, como o longo pescoço da girafa para alcançar os galhos das árvores. Mas ele também acreditava numa lei de desenvolvimento progressivo. E como todas as formas de vida tenderiam a progredir, ele sustenta, para explicar a existência de produções simples nos dias de hoje, que tais formas são geradas espontaneamente no presente. [2]
[2] Tomei a data da primeira publicação de Lamarck da excelente história das opiniões sobre o tema feita por Isidore Geoffroy Saint-Hilaire ("Hist. Nat. Générale", tom. ii, página 405, 1859). Nessa obra um relato completo das conclusões de Buffon sobre o mesmo assunto. É curioso o quanto meu avô, o Dr. Erasmus Darwin, antecipou as ideias e os fundamentos equivocados de opinião de Lamarck em sua "Zoonomia" (vol. i, páginas 500-510), publicada em 1794. Segundo Isid. Geoffroy, não dúvida de que Goethe foi um defensor extremado de ideias semelhantes, como se na introdução de uma obra escrita em 1794 e 1795, mas publicada muito depois. Ele observou com clareza ("Goethe als Naturforscher", do Dr. Karl Meding, s. 34) que a futura questão para os naturalistas seria como, por exemplo, o gado adquiriu seus chifres, e não para que eles servem. É um exemplo bastante singular de como ideias semelhantes surgem mais ou menos ao mesmo tempo: Goethe na Alemanha, o Dr. Darwin na Inglaterra e Geoffroy Saint-Hilaire (como veremos a seguir) na França chegaram à mesma conclusão sobre a origem das espécies nos anos de 1794-5.
Geoffroy Saint-Hilaire, como se afirma em sua "Vida", escrita por seu filho, suspeitou em 1795 que aquilo que chamamos de espécies são várias degenerações de um mesmo tipo. Foi em 1828 que ele publicou sua convicção de que as mesmas formas não se perpetuaram desde a origem de todas as coisas. Geoffroy parece ter se apoiado principalmente nas condições de vida, ou no "monde ambiant", como causa da mudança. Ele foi cauteloso ao tirar conclusões e não acreditava que as espécies atuais estejam passando por modificação no presente. E, como acrescenta seu filho: "C'est donc un problème à réserver entièrement à l'avenir, supposé même que l'avenir doive avoir prise sur lui."
Em 1813, o Dr. W.C. Wells leu perante a Royal Society "Um Relato sobre uma Mulher Branca, parte de cuja pele se assemelha à de um Negro". Mas seu artigo foi publicado quando saíram seus famosos "Two Essays upon Dew and Single Vision", em 1818. Nesse artigo, ele reconhece de modo claro o princípio da seleção natural, e este é o primeiro reconhecimento apontado. Mas ele o aplica apenas às raças humanas e somente a certos caracteres. Depois de observar que negros e mulatos têm imunidade a certas doenças tropicais, ele nota, primeiro, que todos os animais tendem a variar em algum grau e, segundo, que os agricultores melhoram seus animais domesticados por meio de seleção. E então acrescenta que o que é feito neste último caso "pela arte parece ser feito com igual eficácia, ainda que mais lentamente, pela natureza, na formação de variedades da humanidade adaptadas ao país que habitam. Entre as variedades acidentais do homem que surgiriam entre os primeiros e poucos habitantes dispersos das regiões centrais da África, alguma estaria mais bem adaptada que as outras para suportar as doenças do país. Essa raça, em consequência, multiplicaria, enquanto as outras diminuiriam, não por sua incapacidade de resistir aos ataques da doença, mas por sua incapacidade de competir com vizinhos mais vigorosos. A cor dessa raça vigorosa, presumo, a partir do que foi dito, seria escura. Mas, como ainda existe a mesma disposição para formar variedades, com o tempo surgiria uma raça cada vez mais escura. E como a mais escura seria a mais bem adaptada ao clima, ela acabaria por se tornar a mais prevalente, se não a única raça, no país específico em que tivesse se originado." Ele então estende essas mesmas ideias aos habitantes brancos de climas mais frios. Devo ao Sr. Rowley, dos Estados Unidos, por ter chamado minha atenção, por meio do Sr. Brace, para a passagem acima da obra do Dr. Wells.
O Honorável e Reverendo W. Herbert, que depois foi Deão de Manchester, no quarto volume das "Horticultural Transactions", 1822, e em sua obra sobre as "Amaryllidaceæ" (1837, páginas 19, 339), declara que "os experimentos hortícolas estabeleceram, além de qualquer possibilidade de refutação, que as espécies botânicas são apenas uma classe superior e mais permanente de variedades." Ele estende a mesma ideia aos animais. O deão acredita que espécies únicas de cada gênero foram criadas numa condição originalmente muito plástica, e que estas produziram, principalmente por entrecruzamento, mas também por variação, todas as nossas espécies atuais.
Em 1826, o Professor Grant, no parágrafo final de seu conhecido artigo ("Edinburgh Philosophical Journal", vol. XIV, página 283) sobre a Spongilla, declara com clareza sua crença de que as espécies descendem de outras espécies e que se aperfeiçoam no curso da modificação. Essa mesma ideia foi exposta em sua Quinquagésima Quinta Aula, publicada no "Lancet" em 1834.
Em 1831, o Sr. Patrick Matthew publicou sua obra "Naval Timber and Arboriculture", na qual apresenta exatamente a mesma ideia sobre a origem das espécies que aquela (a ser mencionada em breve) proposta pelo Sr. Wallace e por mim no "Linnean Journal", e ampliada neste volume. Infelizmente, o Sr. Matthew expôs essa ideia de forma muito breve, em passagens dispersas num apêndice de uma obra sobre tema diferente, de modo que ela passou despercebida até que o próprio Sr. Matthew chamou a atenção para ela no "Gardeners' Chronicle", em 7 de abril de 1860. As diferenças entre as ideias do Sr. Matthew e as minhas não têm muita importância: ele parece considerar que o mundo ficou quase despovoado em períodos sucessivos e depois foi repovoado. E ele apresenta como alternativa que novas formas poderiam ser geradas "sem a presença de qualquer molde ou germe de agregados anteriores." Não tenho certeza de entender algumas passagens, mas parece que ele atribui muita influência à ação direta das condições de vida. Ele percebeu com clareza, porém, toda a força do princípio da seleção natural.
O célebre geólogo e naturalista Von Buch, em sua excelente "Description Physique des Isles Canaries" (1836, página 147), expressa com clareza sua crença de que as variedades aos poucos se transformam em espécies permanentes, não mais capazes de entrecruzamento.
Rafinesque, em sua "New Flora of North America", publicada em 1836, escreveu (página 6) o seguinte: "Todas as espécies podem ter sido variedades um dia, e muitas variedades estão aos poucos se tornando espécies ao assumir caracteres constantes e próprios." Mas adiante (página 18) ele acrescenta: "exceto os tipos originais ou ancestrais do gênero."
Em 1843-44, o Professor Haldeman ("Boston Journal of Nat. Hist. U. States", vol. iv, página 468) expôs com competência os argumentos a favor e contra a hipótese do desenvolvimento e da modificação das espécies: ele parece pender para o lado da mudança.
Os "Vestiges of Creation" surgiram em 1844. Na décima edição, muito aprimorada (1853), o autor anônimo diz (página 155): "A proposição estabelecida após muita reflexão é a de que as várias séries de seres animados, dos mais simples e antigos até os mais elevados e recentes, são, sob a providência de Deus, o resultado, primeiro, de um impulso que foi conferido às formas de vida, fazendo-as avançar, em tempos definidos, por geração, através de graus de organização que culminam nas mais elevadas dicotiledôneas e nos vertebrados, sendo esses graus poucos em número e geralmente marcados por intervalos de caráter orgânico, o que constitui uma dificuldade prática para determinar afinidades. Segundo, de outro impulso ligado às forças vitais, que tende, no curso das gerações, a modificar as estruturas orgânicas de acordo com as circunstâncias externas, como o alimento, a natureza do habitat e os agentes meteóricos, sendo estas as 'adaptações' do teólogo natural." O autor parece acreditar que a organização progride por saltos súbitos, mas que os efeitos produzidos pelas condições de vida são graduais. Ele argumenta com muita força, em termos gerais, que as espécies não são produções imutáveis. Mas não consigo ver como os dois supostos "impulsos" explicam, em sentido científico, as numerosas e belas coadaptações que vemos por toda a natureza. Não consigo ver que assim ganhemos qualquer compreensão de como, por exemplo, um pica-pau veio a se adaptar a seus hábitos de vida tão peculiares. A obra, por seu estilo poderoso e brilhante, embora exibisse nas primeiras edições pouco conhecimento preciso e grande falta de cautela científica, teve de imediato uma circulação muito ampla. Na minha opinião, ela prestou um excelente serviço neste país ao chamar a atenção para o assunto, ao remover preconceitos e ao preparar assim o terreno para a recepção de ideias análogas.
Em 1846, o veterano geólogo M.J. d'Omalius d'Halloy publicou, num excelente embora curto artigo ("Bulletins de l'Acad. Roy. Bruxelles", tom. xiii, página 581), sua opinião de que é mais provável que novas espécies tenham sido produzidas por descendência com modificação do que criadas separadamente: o autor divulgou essa opinião pela primeira vez em 1831.
O Professor Owen, em 1849 ("Nature of Limbs", página 86), escreveu o seguinte: "A ideia arquetípica se manifestou em carne sob diversas modificações desse tipo, neste planeta, muito antes da existência das espécies animais que de fato a exemplificam. A quais leis naturais ou causas secundárias possam ter sido confiadas a sucessão ordenada e a progressão de tais fenômenos orgânicos, nós, até agora, ignoramos." Em seu discurso à British Association, em 1858, ele fala (página li) do "axioma da operação contínua do poder criativo, ou do tornar-se ordenado dos seres vivos." Mais adiante (página xc), depois de se referir à distribuição geográfica, ele acrescenta: "Esses fenômenos abalam nossa confiança na conclusão de que o Apteryx da Nova Zelândia e o Tetraz Vermelho da Inglaterra foram criações distintas, em e para essas ilhas respectivamente. Sempre convém também ter em mente que, pela palavra 'criação', o zoólogo entende 'um processo que ele não sabe qual é.'" Ele amplia essa ideia acrescentando que, quando casos como o do Tetraz Vermelho são "enumerados pelo zoólogo como evidência de criação distinta da ave em e para tais ilhas, ele expressa sobretudo que não sabe como o Tetraz Vermelho veio a estar ali, e ali exclusivamente. Indica também, por esse modo de expressar tal ignorância, sua crença de que tanto a ave quanto as ilhas deveram sua origem a uma grande Primeira Causa Criadora." Se interpretarmos essas frases, proferidas no mesmo discurso, uma à luz da outra, parece que esse eminente filósofo sentiu, em 1858, abalada sua confiança de que o Apteryx e o Tetraz Vermelho surgiram pela primeira vez em seus respectivos lares "sem que ele soubesse como", ou por algum processo "que ele não sabia qual era."
Esse discurso foi proferido depois que os artigos do Sr. Wallace e meus sobre a origem das espécies, que serão mencionados em breve, foram lidos perante a Linnean Society. Quando a primeira edição desta obra foi publicada, eu fui tão completamente enganado, como muitos outros, por expressões como "a operação contínua do poder criativo", que incluí o Professor Owen, junto a outros paleontólogos, como firmemente convencido da imutabilidade das espécies. Mas parece ("Anat. of Vertebrates", vol. iii, página 796) que isso foi, de minha parte, um erro absurdo. Na última edição desta obra, inferi, e a inferência ainda me parece perfeitamente justa, a partir de uma passagem que começa com as palavras "não dúvida de que a forma-tipo", etc. (Ibid., vol. i, página xxxv), que o Professor Owen admitia que a seleção natural pode ter feito algo na formação de uma nova espécie. Mas isso, ao que parece (Ibid., vol. iii, página 798), é impreciso e sem evidência. Também citei alguns trechos de uma correspondência entre o Professor Owen e o editor da "London Review", a partir da qual ficou evidente, tanto para o editor quanto para mim, que o Professor Owen reivindicava ter divulgado a teoria da seleção natural antes de mim. E eu manifestei minha surpresa e satisfação com esse anúncio. Mas, até onde é possível entender certas passagens publicadas recentemente (Ibid., vol. iii, página 798), caí de novo em erro, parcial ou totalmente. É um consolo para mim que outros achem os escritos polêmicos do Professor Owen tão difíceis de entender e de conciliar entre si quanto eu acho. No que diz respeito à mera enunciação do princípio da seleção natural, é totalmente irrelevante se o Professor Owen me precedeu ou não, pois nós dois, como se mostra neste esboço histórico, fomos muito precedidos pelo Dr. Wells e pelo Sr. Matthews.
M. Isidore Geoffroy Saint-Hilaire, em suas aulas ministradas em 1850 (das quais um Résumé apareceu na "Revue et Mag. de Zoolog.", jan. de 1851), expõe brevemente sua razão para acreditar que os caracteres específicos "sont fixés, pour chaque espèce, tant qu'elle se perpétue au milieu des mêmes circonstances: ils se modifient, si les circonstances ambiantes viennent à changer. En résumé, l'observation des animaux sauvages démontre déja la variabilité limitée des espèces. Les expériences sur les animaux sauvages devenus domestiques, et sur les animaux domestiques redevenus sauvages, la démontrent plus clairement encore. Ces mêmes expériences prouvent, de plus, que les différences produites peuvent être de valeur générique." Em sua "Hist. Nat. Générale" (tom. ii, página 430, 1859), ele amplia conclusões análogas.
Por uma circular emitida recentemente, parece que o Dr. Freke, em 1851 ("Dublin Medical Press", página 322), propôs a doutrina de que todos os seres orgânicos descenderam de uma única forma primordial. Seus fundamentos de crença e seu tratamento do tema são totalmente diferentes dos meus. Mas como o Dr. Freke agora (1861) publicou seu Ensaio sobre a "Origin of Species by means of Organic Affinity", a difícil tentativa de dar qualquer ideia das suas opiniões seria supérflua da minha parte.
O Sr. Herbert Spencer, num Ensaio (publicado originalmente no "Leader", março de 1852, e republicado em seus "Essays", em 1858), contrastou as teorias da Criação e do Desenvolvimento dos seres orgânicos com notável habilidade e força. Ele argumenta, a partir da analogia com as produções domésticas, das mudanças por que passam os embriões de muitas espécies, da dificuldade de distinguir espécies de variedades e do princípio da gradação geral, que as espécies foram modificadas. E atribui a modificação à mudança das circunstâncias. O autor (1855) também tratou a Psicologia segundo o princípio de que cada poder e capacidade mental é necessariamente adquirido por gradação.
Em 1852, M. Naudin, botânico distinto, afirmou expressamente, num admirável artigo sobre a Origem das Espécies ("Revue Horticole", página 102; depois republicado em parte nas "Nouvelles Archives du Muséum", tom. i, p. 171), sua crença de que as espécies se formam de modo análogo ao das variedades sob cultivo. E este último processo ele atribui ao poder de seleção do homem. Mas ele não mostra como a seleção age na natureza. Ele acredita, como o Deão Herbert, que as espécies, em seu estado nascente, eram mais plásticas do que são hoje. Ele peso ao que chama de princípio da finalidade, "puissance mystérieuse, indéterminée; fatalité pour les uns; pour les autres volonté providentielle, dont l'action incessante sur les êtres vivants détermine, à toutes les époques de l'existence du monde, la forme, le volume, et la durée de chacun d'eux, en raison de sa destinée dans l'ordre de choses dont il fait partie. C'est cette puissance qui harmonise chaque membre à l'ensemble, en l'appropriant à la fonction qu'il doit remplir dans l'organisme général de la nature, fonction qui est pour lui sa raison d'être." [3]
[3] Por referências nas "Untersuchungen über die Entwickelungs-Gesetze" de Bronn, parece que o célebre botânico e paleontólogo Unger publicou, em 1852, sua crença de que as espécies passam por desenvolvimento e modificação. Dalton, do mesmo modo, na obra de Pander e Dalton sobre as Preguiças Fósseis, expressou, em 1821, uma crença semelhante. Ideias semelhantes foram, como é bem sabido, sustentadas por Oken em sua mística "Natur-Philosophie". Por outras referências na obra de Godron "Sur l'Espèce", parece que Bory St. Vincent, Burdach, Poiret e Fries admitiram, todos eles, que novas espécies estão sendo continuamente produzidas. Acrescento que, dos trinta e quatro autores citados neste Esboço Histórico que acreditam na modificação das espécies, ou que ao menos descreem em atos separados de criação, vinte e sete escreveram sobre ramos específicos da história natural ou da geologia.