Sabedoria 3
As almas dos justos, porém, estão nas mãos de Deus, e nenhum tormento as atingirá.
O livro da Sabedoria foi composto em grego, em Alexandria, provavelmente no séc. 1 a.C., e atribui-se ficticiamente ao rei Salomão (pseudoepígrafe): o autor real é um judeu helenizado anônimo. A afirmação de que 'as almas dos justos estão nas mãos de Deus' introduz a doutrina da imortalidade da alma, conceito de matriz grega (sobretudo platônica) que não aparece de forma clara na maior parte do Antigo Testamento hebraico, onde o destino dos mortos é o Sheol, sombrio e indiferenciado.Aqui a recompensa do justo é pensada como sobrevivência imediata da alma junto de Deus após a morte, e não como ressurreição corporal no fim dos tempos (esquema que se desenvolve em Daniel 12 e no judaísmo posterior). Estudiosos divergem sobre o quanto o autor funde os dois esquemas; a linguagem deste capítulo é predominantemente platonizante, falando de alma e não de corpo ressuscitado.