Daniel 1
No terceiro ano do reinado de Joaquim, rei de Judá, Nabucodonosor marchou contra Jerusalém e a sitiou.
A data ('terceiro ano de Jeoiaquim') gera um problema cronológico antigo: Jeremias 25:1 e 46:2 situam a primeira investida de Nabucodonosor no quarto ano de Jeoiaquim. A tradição harmoniza a diferença supondo que Daniel conta pelo sistema babilônico de 'ano de ascensão' (o ano em que o rei assume não conta como 'primeiro ano'), enquanto Jeremias usaria a contagem judaica. A crítica vê a discrepância como sinal de um autor posterior, distante dos eventos, que conhecia a captividade só por tradição.O capítulo 1 abre o grande debate de datação do livro. A posição tradicional o atribui ao próprio Daniel no séc. VI a.C., no exílio babilônico. A crítica majoritária, desde Porfírio (séc. III d.C.), data a forma final ao séc. II a.C., na crise dos Macabeus sob Antíoco IV Epifânio, lendo as profecias dos caps. 7-12 como 'vaticinium ex eventu' (predição escrita após o fato). Os contos de corte (caps. 1-6) podem ser tradições mais antigas que a moldura apocalíptica.