Isaías 1
Visão de Isaías, filho de Amós, que ele teve a respeito de Judá e de Jerusalém, no tempo de Ozias, Joatão, Acaz e Ezequias, reis de Judá.
Este versículo de abertura funciona como cabeçalho editorial: nomeia o profeta (Isaías, filho de Amós, não confundir com o profeta Amós) e situa sua atuação sob quatro reis de Judá, de Uzias a Ezequias, ou seja, c. 740-700 a.C. A crítica histórica vê aqui o núcleo do chamado Proto-Isaías (caps. 1-39), atribuído a Isaías de Jerusalém no século 8. Os caps. 40-55 (Dêutero-Isaías, exílio babilônico, séc. 6) e 56-66 (Trito-Isaías, pós-exílio) são, na visão majoritária da crítica, de mãos posteriores, pois pressupõem a queda de Jerusalém e o decreto de Ciro, eventos muito além do horizonte do séc. 8. A tradição judaica e cristã pré-moderna, e parte da erudição conservadora, sustentam a autoria unitária por Isaías.O cap. 1 não é necessariamente o oráculo mais antigo: muitos comentaristas o leem como um prólogo composto, talvez reunido para servir de pórtico ao livro inteiro, sintetizando os temas de pecado, juízo e possível restauração.