Salmos 125
שִׁיר הַמַּעֲלוֹת הַבֹּטְחִים בַּיהוָה כְּהַר־צִיּוֹן לֹא־יִמּוֹט לְעוֹלָם יֵשֵׁב ׃
O Salmo 125 traz na superscrição hebraica o título 'Cântico dos Degraus' (ou 'das Subidas'), pertencente ao conjunto dos Salmos 120-134. A maioria dos estudiosos entende esse grupo como uma coletânea de cânticos curtos e populares usados por peregrinos que 'subiam' a Jerusalém para as três grandes festas anuais; outras hipóteses ligam o título aos quinze degraus do Templo ou a um estilo de composição em que cada verso retoma uma palavra do anterior. Quanto ao gênero, este é um salmo de confiança: a abertura compara o que confia no SENHOR ao monte Sião, imóvel e permanente.A imagem de Sião 'que não se abala' opera por paralelismo poético: a estabilidade física da montanha ilustra a segurança de quem confia em Deus. No antigo Oriente Próximo a montanha era também símbolo da morada divina (como o monte Safom dos textos ugaríticos do Ciclo de Baal, sede do deus da tempestade); aqui o motivo é reorientado para a fé do justo, e não para a topografia sagrada em si.
יְרוּשָׁלַםִ הָרִים סָבִיב לָהּ וַיהוָה סָבִיב לְעַמּוֹ מֵעַתָּה וְעַד־עוֹלָם ׃
O verso explora a geografia real de Jerusalém: a cidade é cercada por elevações (o Monte das Oliveiras a leste e colinas ao redor), e o poeta transforma esse anel de montes numa figura da proteção divina que 'está em volta do seu povo'. Vários comentadores notam que, do ponto de vista militar, Jerusalém não era especialmente protegida pelo relevo, o que sugere que a ênfase recai sobre a presença de Deus, e não sobre fortificações naturais.
כִּי לֹא יָנוּחַ שֵׁבֶט הָרֶשַׁע עַל גּוֹרַל הַצַּדִּיקִים לְמַעַן לֹא־יִשְׁלְחוּ הַצַּדִּיקִים בְּעַוְלָתָה יְדֵיהֶם ׃
A expressão traduzida na ACF por 'a sorte dos justos' verte o termo hebraico 'goral', que designa o quinhão ou lote de terra distribuído (a mesma palavra usada para o sorteio das heranças tribais). Por isso muitas traduções modernas trazem 'a terra (ou herança) destinada aos justos' em vez de 'sorte'. O 'cetro da impiedade' alude a um poder opressor (possivelmente um domínio estrangeiro), e o verso afirma que ele não perdurará, para que os justos não cedam à tentação de também praticar a injustiça. Não há consenso sobre a situação histórica concreta por trás da imagem: as datações propostas vão do período pós-exílico, sob domínio persa, a contextos posteriores.
הֵיטִיבָה יְהוָה לַטּוֹבִים וְלִישָׁרִים בְּלִבּוֹתָם ׃
וְהַמַּטִּים עַקַלְקַלּוֹתָם יוֹלִיכֵם יְהוָה אֶת־פֹּעֲלֵי הָאָוֶן שָׁלוֹם עַל־יִשְׂרָאֵל ׃
O salmo encerra com um contraste agudo entre dois destinos: os que se desviam por 'caminhos tortuosos' são removidos junto com 'os que praticam a maldade', enquanto a comunidade fiel recebe a bênção final 'paz haverá sobre Israel'. Essa fórmula (em hebraico 'shalom al-Israel') também fecha o Salmo 128 e tem tom de bênção litúrgica, lida ora como prece, ora como afirmação confiante. Há debate sobre o alcance do 'Israel' aqui: parte da tradição interpretativa o entende como o povo do pacto de modo amplo, outra parte o restringe à comunidade dos que de fato confiam e são 'retos de coração' (v.4).