Jonas 3
וַיָּקָם יוֹנָה וַיֵּלֶךְ אֶל־נִינְוֶה כִּדְבַר יְהוָה וְנִינְוֵה הָיְתָה עִיר־גְּדוֹלָה לֵאלֹהִים מַהֲלַךְ שְׁלֹשֶׁת יָמִים ׃
A frase "cidade muito grande, de três dias de caminho" é um dos pontos mais debatidos do livro. Escavações indicam que a Nínive do auge assírio (ampliada por Senaqueribe no séc. 7 a.C.) tinha cerca de 12 km de muralhas, atravessável em algumas horas, não em três dias. Há tentativas de harmonizar lendo "três dias" como o perímetro total ou como uma visita diplomática protocolar; muitos estudiosos, porém, veem aqui hipérbole literária deliberada, coerente com o tom exagerado do livro (o peixe, a conversão total, o rei de saco e cinza).O verbo "era" (no passado) sugere a muitos comentaristas que o autor escreve quando Nínive já não existia. A capital assíria foi destruída em 612 a.C. pelos medos e babilônios, enquanto o Jonas histórico, filho de Amitai, é situado no séc. 8 a.C. (2Rs 14:25). Esse distanciamento, somado a aramaísmos no hebraico do livro, leva boa parte da crítica a datar a composição no período pós-exílico (séc. 5-4 a.C.), tratando a narrativa como conto didático ambientado num passado já lendário.