Isaías 45
כֹּה־אָמַר יְהוָה לִמְשִׁיחוֹ לְכוֹרֶשׁ אֲשֶׁר־הֶחֱזַקְתִּי בִימִינוֹ לְרַד־לְפָנָיו גּוֹיִם וּמָתְנֵי מְלָכִים אֲפַתֵּחַ לִפְתֹּחַ לְפָנָיו דְּלָתַיִם וּשְׁעָרִים לֹא יִסָּגֵרוּ ׃
Este versículo é o pivô do debate sobre a autoria de Isaías. Ciro II (o Grande), rei persa, é nomeado explicitamente (já anunciado em 44:28) e chamado de 'ungido' (hebraico mashiach, a palavra que origina 'messias'). É o único governante pagão a receber esse título nas Escrituras hebraicas, e ele é ungido para uma tarefa específica (libertar os exilados), não transformado no rei davídico esperado. Para a leitura tradicional, Isaías (séc. 8 a.C.) profetizou o nome de Ciro cerca de 150 anos antes do fato. A crítica histórica majoritária lê os capítulos 40-55 como obra de um profeta anônimo do exílio (o chamado 'Dêutero-Isaías'), escrevendo por volta de 550-539 a.C., quando Ciro já era uma potência em ascensão: o oráculo pressuporia, e não anteciparia, sua chegada. Não há consenso, e o argumento envolve tanto datação e linguagem quanto pressupostos sobre a possibilidade de predição sobrenatural.Chamar um rei pagão de 'ungido de YHWH' era teologicamente ousado: o título pertencia normalmente aos reis e sacerdotes de Israel. O texto subordina o império persa ao plano do Deus de Israel, invertendo a expectativa de que o poder político decorre dos deuses nacionais.