Amós 9
בַּיּוֹם הַהוּא אָקִים אֶת־סֻכַּת דָּוִיד הַנֹּפֶלֶת וְגָדַרְתִּי אֶת־פִּרְצֵיהֶן וַהֲרִסֹתָיו אָקִים וּבְנִיתִיהָ כִּימֵי עוֹלָם ׃
Início do epílogo de restauração (9:11-15), que muda abruptamente o tom do livro, de juízo implacável para esperança. A 'cabana caída de Davi' (literalmente 'sukká', a tenda ou choça, não 'tabernáculo' no sentido cultual) é entendida em geral como a dinastia davídica em ruínas, com foco em Judá e Jerusalém. Boa parte da crítica moderna considera esses versos um acréscimo pós-exílico: o interesse davídico e judaíta destoa de um profeta do reino do norte, e a linguagem de 'reparar brechas' e 'reerguer ruínas' sugere a perspectiva de quem já viu a queda de Jerusalém (586 a.C.). Outros estudiosos defendem a autenticidade, apontando que Amós, sendo de Tecoa em Judá, poderia ter expectativas davídicas, e que a linguagem de remanescente já aparece em 9:8.
לְמַעַן יִירְשׁוּ אֶת־שְׁאֵרִית אֱדוֹם וְכָל־הַגּוֹיִם אֲשֶׁר־נִקְרָא שְׁמִי עֲלֵיהֶם נְאֻם־יְהוָה עֹשֶׂה זֹּאת ׃ פ
Verso central no debate sobre o texto de Amós, por causa de uma divergência entre o hebraico e a tradução grega. O texto hebraico (massorético) diz 'para que possuam o restante de Edom', um oráculo sobre Israel reconquistando territórios inimigos. Já a Septuaginta (tradução grega antiga) leu as mesmas consoantes hebraicas como 'Adam' (humanidade) em vez de 'Edom' (a diferença é só de vogais, não escritas no hebraico antigo) e o verbo 'possuir' como 'buscar', resultando em 'para que o restante dos homens busque o Senhor'. É essa versão grega, universalista, que Tiago cita em Atos 15:16-17 no Concílio de Jerusalém para justificar a entrada de gentios na igreja sem circuncisão. Assim, a leitura nacionalista do hebraico e a leitura universalista do grego apontam para sentidos bem distintos, e o uso no Novo Testamento depende da segunda.