Salmos 67
Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós (Selá.)
O Salmo 67 abre ecoando a bênção sacerdotal de Arão (Nm 6:24-26): 'o SENHOR te abençoe... faça resplandecer o seu rosto sobre ti'. O salmo retoma a fórmula ('nos abençoe', 'faça resplandecer o seu rosto sobre nós'), mas no plural, transformando a bênção dirigida a Israel num pedido coletivo da assembleia. Por isso muitos estudiosos leem o salmo como resposta cantada da comunidade ao sacerdote no culto.Quanto ao gênero, há duas leituras principais. Hermann Gunkel e boa parte da crítica de formas classificam o salmo como hino de ação de graças ligado à colheita (ver v.6); outros o veem como prece geral por bênção e por reconhecimento de Deus entre as nações. A superscrição hebraica ('ao mestre de canto, com instrumentos de cordas') indica uso litúrgico com acompanhamento musical.O Salmo 67 pertence ao chamado 'Saltério Elohísta' (Salmos 42-83), bloco em que o nome próprio de Deus, YHWH ('o SENHOR'), foi em grande parte substituído pelo termo genérico 'Elohim' ('Deus'). Aqui a palavra 'Deus' domina (vv.1,3,5,6,7) e o nome 'SENHOR' não aparece, padrão estatisticamente anômalo que a crítica textual costuma atribuir a uma edição deliberada dessa coleção. A prova mais citada é o par Sl 14 // Sl 53, a mesma composição preservada com 'SENHOR' numa versão e 'Deus' na outra.