Salmos 2
Proclamarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei.
A fórmula 'Tu és meu Filho, eu hoje te gerei' é amplamente lida por estudiosos como fórmula de adoção real proclamada no dia da coroação: o rei não seria divino por natureza, mas se tornaria 'filho' de Deus ao ser entronizado. Há paralelos no Antigo Oriente: no Egito, o faraó ao assumir o trono recebia o título de 'filho de Rá', e a relação pai-filho entre divindade e rei também aparece na tradição mesopotâmica. O Novo Testamento reinterpreta o verso em chave messiânica e o aplica a Jesus (Atos 13:33 o liga à ressurreição; Hebreus 1:5 o usa para afirmar a superioridade do Filho sobre os anjos). A leitura cristã (geração eterna ou ressurreição do Filho) e a leitura histórico-crítica (entronização do rei terreno) coexistem e divergem sobre o sentido de 'hoje te gerei'.