Sofonias 3
Ai da rebelde e contaminada, da cidade opressora!
A 'cidade opressora' não é nomeada, mas o contexto a identifica como Jerusalém: os versos seguintes acusam seus profetas, sacerdotes, o santuário e a lei (v.3-4), instituições da capital de Judá. O efeito é deliberado. Depois do oráculo contra Nínive que encerra o capítulo 2, o leitor talvez esperasse mais ataque a uma cidade estrangeira; o oráculo de 'ai' vira-se bruscamente para dentro, contra a própria Jerusalém, despojada até de seu nome e reduzida a seus traços de pecado.O reinado de Josias (640-609 a.C.), no qual Sofonias 1:1 situa o profeta, é o pano de fundo. Há debate sobre a relação com a reforma de 622: se os oráculos refletem a corrupção anterior à reforma (que Sofonias ajudaria a preparar) ou se foram compostos e reordenados depois. A linguagem de idolatria sincrética em 1:4-6 (o resto de Baal, o exército dos céus, Milcom) sugere a muitos um cenário pré-reforma.