Levítico 27
Toda a coisa consagrada que for consagrada do homem, não será resgatada; certamente morrerá.
Verso muito debatido. 'Toda a coisa consagrada que for consagrada do homem... certamente morrerá' tem sido lido de modos divergentes. A interpretação majoritária na crítica e na tradição judaica entende que não autoriza sacrifício humano voluntário: refere-se a pessoas já sentenciadas à morte por 'cherem' judicial (criminosos sob pena capital, ou inimigos votados à destruição em guerra santa), que não podem ser resgatadas dessa sentença. Outra leitura, minoritária, viu aqui um eco de práticas arcaicas de oferta humana, hipótese que alguns associam ao episódio de Jefté. A primeira leitura predomina, pois Levítico repudia explicitamente sacrificar filhos (Lv 18:21; 20:2-5). Note-se o contraste com a Mesopotâmia: nas leis de Hamurabi e Eshnunna a pena de morte é abundante e por vezes recai sobre terceiros inocentes (a filha do culpado é morta no lugar dele, Hamurabi 210), princípio que a lei israelita tende a rejeitar.