Lamentações 4
Como se escureceu o ouro! Como se mudou o ouro puro e bom! Como estão espalhadas as pedras do santuário sobre cada rua!
Este capítulo é o quarto dos cinco poemas que compõem Lamentações, lamentos sobre a destruição de Jerusalém pelos babilônios em 587 a.C. Como os capítulos 1, 2 e 3, é um acróstico alfabético: cada estrofe começa com uma letra do alfabeto hebraico em ordem, da primeira (álef, aqui em 'Como', hebraico 'êkah') à última (tav), totalizando 22 estrofes. No capítulo 4 cada letra abre uma estrofe de dois versos, mais curta que o acróstico triplo do capítulo 3 (66 versos).O metro predominante do livro é o chamado 'qinah' (3+2), um ritmo desequilibrado, 'coxo', em que a segunda metade do verso é mais curta que a primeira. Esse desbalanço era associado na poesia hebraica ao canto fúnebre, reforçando o tom de lamento. O contraste do ouro que se 'escureceu' abre o poema com a imagem da glória do Templo reduzida a entulho.