Ezequiel 3
E levantou-me o Espírito, e ouvi por detrás de mim uma voz de grande estrondo, que dizia: Bendita seja a glória do SENHOR, desde o seu lugar.
Aqui o relato retoma a visão da carruagem-trono (a merkabah) do capítulo 1, vista junto ao rio Quebar. A aclamação "Bendita seja a glória do Senhor, desde o seu lugar" tornou-se central na liturgia judaica posterior (incorporada à Kedushah). A visão de Ezequiel 1, com os quatro viventes, as rodas (ofanim) e a figura da glória sobre o trono, foi a semente da mística judaica da Merkabah e da literatura Hekhalot (séculos seguintes), que descrevia ascensões aos "palácios" celestes. Por causa de sua estranheza e perigo interpretativo, a Mishná (Hagigá 2:1) restringia a exposição de Ezequiel 1, permitindo-a só a um sábio capaz de "entender por si mesmo".Há uma variante textual debatida: o hebraico traz "bendita (barukh) seja a glória do Senhor de seu lugar", mas muitos críticos textuais propõem ler berum ("ao levantar-se") em vez de barukh ("bendita"), sugerindo que o texto original descrevia o estrondo das criaturas alçando voo, e não uma bênção. As traduções divergem conforme adotem o texto massorético ou a emenda.