Êxodo 24
E tomou o livro da aliança e o leu aos ouvidos do povo, e eles disseram: Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos.
O 'livro da aliança' aqui lido coincide, na leitura majoritária, com o bloco de leis dos capítulos 20-23, que os estudiosos chamam justamente de Código da Aliança. Esse código compartilha com os códigos mesopotâmicos a forma casuística ('se um homem...'): compare Êxodo 21:28 ('se um boi escornear homem ou mulher, e morrer, o boi será apedrejado') com o Código de Hamurabi §251 ('se um boi for de marrar, e ficar comprovado que ele marra, e o dono não amarrar seus chifres... e o boi marrar um homem livre e o matar, o dono pagará meia mina') e com as Leis de Eshnunna §54 (mesma hipótese do boi notoriamente chifrador, com indenização de 2/3 de mina). A lei de talião 'olho por olho' (Êxodo 21:24) tem eco em Hamurabi §196-197 ('se um homem arrancar o olho de outro... seu olho deve ser arrancado'), mas Hamurabi gradua a pena pela classe social (§198-199: pelo olho de um escravo paga-se em prata), distinção que o texto bíblico não faz no mesmo grau. Já a proteção ao estrangeiro, à viúva e ao órfão (Êxodo 22:21-24) tem paralelo nos prólogos reais (Ur-Nammu §5: 'o órfão não foi entregue ao homem rico, a viúva não foi entregue ao homem poderoso'), mas em Israel aparece como mandamento vinculante, não como vanglória do rei.