Eclesiastes 1
Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.
"Vaidade" traduz o hebraico hevel (הֶבֶל), que literalmente significa "vapor", "sopro" ou "fumaça": algo sem consistência, que não se segura. Não conota necessariamente "presunção" como o português "vaidade" sugere. Traduções e estudiosos propõem "fugacidade", "efêmero", "absurdo", "sem sentido" ou "fôlego". O termo aparece cerca de 38 vezes no livro e é sua palavra-chave; a escolha de tradução molda fortemente a leitura."Vaidade de vaidades" é um superlativo hebraico (substantivo no construto com seu próprio plural), o mesmo padrão de "Cântico dos Cânticos" ou "Santo dos Santos": significa "a vaidade máxima", "o mais fugaz de tudo".A datação é debatida. A tradição situa o livro no séc. X a.C. (Salomão). A crítica predominante o coloca no período pós-exílico tardio ou helenístico (séc. 5 a 3 a.C.), com base no hebraico tardio, em aramaísmos e em empréstimos persas: pardes ("jardim/parque", 2:5, origem do "paraíso") e pitgam ("sentença/decreto", 8:11) são vocábulos de origem persa que entram no hebraico só após o exílio. Fragmentos do livro achados em Qumran (4QQohélet, séc. 2 a.C.) fixam um limite inferior para a composição.