Capítulos

2 Tessalonicenses

Autoria e Data de Composição

A autoria de 2 Tessalonicenses é um dos debates mais polêmicos da crítica paulina. A carta se apresenta como escrita por Paulo, Silvano e Timóteo (2ts1:1), assim como 1 Tessalonicenses, e inclui uma nota de autenticação de próprio punho em 2ts3:17. No entanto, numerosos estudiosos modernos classificam a carta como deutero-paulina, ou seja, pseudônima.

Os principais argumentos contra a autoria paulina incluem: vocabulário e estilo mais formal e frio do que 1 Tessalonicenses; a escatologia de 2ts2 parece contradizer a de 1ts4-5 (aqui o Dia do Senhor é precedido por sinais claros; lá, ele chega de surpresa); e a dependência literária tão próxima de 1 Tessalonicenses que alguns estudiosos falam em imitação deliberada. Norman Perrin e outros argumentam que a nota de autenticidade em 2ts3:17 seria exatamente o tipo de recurso que um pseudônimo usaria para se credenciar.

Os defensores da autoria paulina respondem que a contradição escatológica é aparente, resolvível pela distinção entre o aspecto súbito do fim (para os desavisados) e os sinais que o precedem. Se autêntica, a data seria logo após 1 Tessalonicenses, por volta de 50 a 51 d.C., ainda de Corinto. O debate permanece sem resolução consensual.

Manuscritos

Data dos manuscritos mais antigos: cerca de 200 d.C.

2 Tessalonicenses não sobrevive nas folhas preservadas do Papiro Chester Beatty P46 (cerca de 200 d.C.); o manuscrito se encerra nos dois primeiros capítulos de 1 Tessalonicenses, e as folhas finais foram perdidas. A carta é citada explicitamente por Irineu de Lião no século II (Adv. Haer. III), o que indica circulação anterior a essa data. Os grandes códices Sinaítico, Vaticano e Alexandrino também contêm a carta.

Conteúdo Principal

    Saudação e Ação de Graças

  • Saudação de Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja de Tessalônica(2Ts 1:1)
  • Ação de graças pelo crescimento da fé e do amor mútuo dos tessalonicenses em meio à perseguição(2Ts 1:3)
  • Deus retribuirá com tribulação os que perseguem; com descanso os perseguidos, na revelação de Cristo(2Ts 1:6)
  • O Homem da Iniquidade e os Sinais do Fim

  • Correção de um equívoco: o Dia do Senhor ainda não chegou; é preciso que venha primeiro a apostasia(2Ts 2:1)
  • O "homem da iniquidade" (ou "homem da perdição") que se senta no templo de Deus proclamando-se Deus(2Ts 2:3)
  • O "que retém" (katechon): algo ou alguém que impede a revelação do ímpio por ora(2Ts 2:6)
  • O ímpio virá com ação de Satanás, com sinais e prodígios mentirosos, enganando os que se perdem(2Ts 2:9)
  • Ação de graças pelos eleitos: Deus os escolheu desde o princípio para a salvação(2Ts 2:13)
  • Exortações e Disciplina Comunitária

  • Pedido de oração para que a Palavra se propague e Paulo seja liberto dos perversos(2Ts 3:1)
  • Advertência contra os que vivem sem ordem e não trabalham; Paulo deu o exemplo de trabalhar com as mãos(2Ts 3:6)
  • "Quem não trabalha, também não coma": disciplina comunitária para os ociosos(2Ts 3:10)
  • Isolamento do desobediente como forma de correção fraterna, não de inimizade(2Ts 3:14)

O "Homem da Iniquidade" e a Tradição Apocalíptica

O trecho de 2ts2:1-12 é um dos mais debatidos do Novo Testamento. A figura do "homem da iniquidade" (ou "filho da perdição") que se assenta no templo de Deus não é identificada na carta. Ao longo da história, foi associada a diferentes personagens: Calígula, Nero, o papado (na tradição protestante), um anticristo futuro (no dispensacionalismo moderno), entre outros.

O misterioso "que retém" (katechon, 2ts2:6-7) gerou especulação durante séculos: seria o Império Romano, o próprio Paulo, o Espírito Santo ou outro agente? Nenhuma identificação obteve consenso acadêmico. O capítulo usa linguagem de apocalíptica judaica semelhante à de Daniel e a alguns trechos do Apocalipse.